Tradição Irlandesa: Como é um Enterro na Irlanda

Tradição Irlandesa: Como é um Enterro na Irlanda

Eu tô escrevendo sobre isso, porque sou uma pessoa curiosa.
Principalmente em se tratando de cultura.
Adoro aprender.
E gostaria de ter lido um texto sobre esse assunto, quando vim morar aqui.

O jeito de viver do irlandês tem sua particularidade, o jeito de morrer não poderia ser diferente.
Tudo é muito cheio de ritual e entre a morte e o enterro pode ter se passado 1 semana.

Aqui na Irlanda é bem comum o que se chama de Irish Wake, pra mim a tradição mais diferente da nossa, que pode existir.

Normalmente acontece na casa do morto, mas hoje em dia já pode se visto em algumas casas funerárias.
O fundamento dessa tradição é reunir familiares e amigos e juntos celebrarem e dividirem entre si as lembranças que tiveram com quem morreu.
É servido drinks, comida e em alguns casos tem até música.
Lá, os organizadores deixam um livro de presença para ser assinado pelas pessoas que atenderem o Wake.
Dizem que essa tradição, com a chegada de imigrantes de todos os lugares do mundo, um dia vai acabar…pode ser, mas hoje a gente ainda vê muito.

No dia seguinte do Irish Wake, acontece a Missa, que é de corpo presente, familiares falam, as vezes clipes são apresentados e ao final a família recebe as condolências.
Pessoas costumam levar para a família o chamado Mass Card, um cartão manifestando seus pêsames pela perda.

Depois disso, pessoas seguem para o enterro que é na maioria das vezes parecido com o nosso.

A diferença, além do Irish Wake é que os rituais não param por aí, depois do velório, a família ainda oferece uma recepção para os mais chegados e em alguns casos (como o último que participei), foi oferecido um jantar, como em um casamento.

Na minha opinião, isso tudo prolonga imensamente o sofrimento de quem ficou, mas para as famílias irlandesas, acho que tem o efeito contrário, eles se sentem consolados dessa maneira.

Faltar ao enterro de alguém próximo é imperdoável e quando eu digo “próximo”, incluo pai de amigos, familiares até mesmo distantes, vizinhos e frequentadores da mesma Igreja.

Tá aí, uma tradição a que eu nunca vou me adaptar. (embora respeite e entenda a necessidade dos rituais de cada um)

Porque eu prefiro celebrar mesmo é a vida.

P.s.: Para deixar claro, esse Post não é uma crítica a tradição alheia, escrevi para mostrar que as diferenças culturais estão em cada detalhe. E pode existir beleza em tudo.

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4 Comments

  1. Concordo em celebrar a vida, eu também prefiro! Fazer festa de aniversário, homenagem, declaração… uma vez que a pessoa morreu, já era, não vai participar de mais nada disso nem sentir o amor das pessoas queridas.
    Masss… acho que de certo modo essa prolongação ajuda as pessoas a lidar com a dor. Não tem pressa de "encerrar o assunto", a pessoa pode lidar com a perda, digo psicologicamente, com mais largueza. Acho que isso ajuda a se recuperar.
    E também dá tempo de familiares e amigos que moram em outras cidades e até países poderem se organizar para comparecer ao enterro, caso queiram. Aqui no Brasil é tal a pressa em fazer enterro poucas horas após o falecimento, que a família (que já tem que lidar com a dor) tem uma correria para providenciar funerária, local para velório, cemitério, etc. E os que quiserem estar presentes, misericórdia, se moram em outras cidades viajam madrugada adentro para poder chegar.

  2. Cada cultura tem uma forma de encarar a vida e a morte eu vejo beleza em rituais como este. Respeito muito.

  3. Infelizmente já passei por 3 velórios desde que cheguei : um na Inglaterra 5da tia do meu marido e já fazia semanas que ela havia falecido e chegamos no último dia do cerimonial e em seguida a cremação fomos todos a uma reception com comes e bebes, com direito a fotografias, risadas e etc.
    E aqui na Irlanda acompanhei dois desde o inicio e o mais triste de todos foi o do meu amado sogro. Uma longa semana, confesso. E apesar de achar tudo muito extranho pra mim, percebi que pra minha sogra, netos, bisnetos e filhos, foi reconfortante, necessário pra eles, ia "acostumando" com a dor, a despedida aos poucos. Lembro que no último dia minha sogra entrou e disse : Yeh, last time my dear! E o beijou ternamente. ..
    Em fim, estranho pra mim, necessário pra ele

  4. Interessante, parece um mega evento.

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