Maternidade, Relacionamento com Estrangeiro, Vida Na Irlanda

Ser só

Uma das lembranças mais vivas da minha infância é pegar uma chave, uma bolsa e fingir que saía de casa sozinha.

Eu devia ter uns 3 anos.

Eu nunca sonhei em ser casada ou ter filhos, mas sempre acabei em relacionamentos longos, que inevitavelmente chegaram ao fim.

Não me arrependo dos relacionamentos muito menos dos frutos. Todos os meus filhos foram planejados e bem vindos.

Todos os meus filhos são minha prioridade e ninguém pode competir com eles pela minha atenção, afeto e pelo meu tempo.

Mas eu continuo sendo eu, um ser sozinho.

Acho que até porque sou assim, acabo em relacionamentos em que eu sou casa, porque sou enough, porque não demando, porque não espero e porque não preciso.

Porque alem dos meus filhos a única coisa que me seduz é a liberdade.

Liberdade de ir e vir, da leveza de nunca precisar colocar um “pra sempre” no final do “Eu te amo”, liberdade de ter a minha própria rotina, meus próprios hábitos e poder fazer tudo no meu tempo e dizer isso out loud pode parecer egoísmo mas pra mim é abraçar quem eu sou.

Nem sempre eu consigo traçar limites.

Nem sempre eu consigo dizer não,  mas eu sempre acabo choosing myself again, quando recobro meus sentidos, ou quando me lembram que sempre devo me colocar em primeiro lugar.

Aprendi com os anos que os melhores parceiros da minha vida foram os auto suficientes e incluo aqui o Rosinha, que sabe viver sozinho, e acho que por isso nosso casamento durou tanto.

Aprendi com os anos que os melhores parceiros são os que tem amigos e que conseguem conciliar suas amizades ao decorrer da vida, porque não existe nada mais confiável do que o Conselho de um amigo de verdade, pra se não te impedir de entrar em um problema, pelo menos te alertar das red flags.

Aprendi que as melhores pessoas são as que conseguem se colocar no lugar dos outros e que  conheçam a si mesmo,  mas para isso , elas precisam ter tido fases sozinhas.

Aprendi que pessoas impacientes, imediatistas, que não sabem o que querem e são emocionalmente instáveis, são um problema enorme e que não é meu lugar tentar conserta-las,  a gente não pode e não deve lutar as batalhas dos outros.

Aprendi que não existe liberdade sem independência financeira e que como mulheres podemos tirar um tempo para família, mas meu Conselho é que esse período comece e acabe. (um dia você vai me agradecer por essa tip)

Aprendi com os anos que eu não preciso nem estar com alguém, nem querer estar com alguém e nem procurar por alguém para me sentir completa.

Separações e finais complicados dão bons livros e filmes, mas na vida real os melhores são as separações simples com motivos razoáveis e desfechos necessários entre pessoas que um dia foram maravilhosas juntas mas que decidiram reavaliar seus desejos.

São as separações que vem de processos e conclusões de que somos pessoas melhores, separados, mas pra sempre juntos.

Eu sou só e sou livre, para amanhã não ser mais ou para assim, ser pra sempre.

Porque a única pessoa que eu não posso abandonar é a mim mesmo.

Ser só,  pra ser bom junto.

This is the real secret for the best relationship of your life: The one with yourself.

Karine Keogh sobre ser só
Karine keogh

 

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One Comment

  1. Oi Ka! Como somos parecidas! Sou exatamente como você. Eu sempre me bastei e por isso nunca achei que iria me casar ou ficar casada por muito tempo. Mas tive sorte de arranjar um marido que é que nem eu e melhor, trabalha embarcado! Metade do mês é só eu mesma, e as crianças. Só assim para dar certo. Espero que o processo tenha sido leve para vc e com seus filhos como parece estar sendo pelo jeito que vc se refere ao Rosinha. Muito bom isso! Beijos e saudades!

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