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O Amor nos tempos da Coleira.

Relacionar-se é um dom, que só tem, quem se doa, sem necessariamente se anular.

Mas, imagine você a confusão mental que bate quando a relação é com uma pessoa que vem de uma cultura com-ple-ta-men-te diferente da sua?

Quando comecei a namorar o rosinha estranhei o excesso de liberdade que os casais irlandeses tem, não que eu não saísse sem meu namorado quando eu morava no Brasil, mas eu sempre fui assim, meio moderna, bem diferente das minhas amigas que não acham que sair sozinha seja “normal”.

Com o tempo, ele se pôs no meu lugar, por eu não conhecer muita gente por aqui acabava saindo na desvantagem e percebeu que não era bom ficar sozinho toda sexta-feira e assim chegamos ao meio termo, mas nunca, nunca mesmo ele (ou eu) passamos dos limites, contrariando o que eu mais escuto por aí da boca de brasileiro “Irlandês gosta é de cerveja e não de mulher”, só se for irlandês otário, né?

Do mesmo modo, eu escuto reclamação de muita brasileira que não entende esse tipo de comportamento que é cultural e transitório, sim , porque se ele não for um Peter Pan ou alcoolatra essa fase vai passar, em média depois dos 35 anos, não espere muito antes disso.

Hoje tenho uma vida social bem mais agitada do que qualquer amiga brasileira que seja casada, ou esteja namorando, mesmo entre as que ainda nem são mães.

Saio sozinha, vou a shows, viajo, me reuno com as dublinetes e o hubby fica em casa, lindo, tomando conta das crianças, coisa mais natural por aqui, tudo na base do respeito mútuo que tem que existir.

Isso não significa que não façamos nossos programas de casal, mas -graças a Deus- temos nosso mundo paralelo, onde nossa individualidade não só nos faz bem como indivíduos, mas também como pais.
Eu que sou a favor do Free Range Kids, não consigo pensar em jeito melhor de educar e criar meus filhos para o mundo, do que mostrando a eles que confiança é a base de qualquer relação.

Em tempos em que se prega que mulher independente é só a mulher que trabalha fora, acho que dependência emocional é a pior de todas as dependências e não há cargo de executiva que dê jeito.

Sobre o amor nos tempos da coleira, de boa?, só é feliz quem não precisa dela para acertar o caminho de casa.

#ficaadica
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View Comments (22)

  • "Em tempos em que se prega que mulher independente é só a mulher que trabalha fora, eu acho que dependência emocional é a pior de todas as dependências e não há cargo de executiva que dê jeito."

    Arrasou, Dublinete( Im sorry, achei o termo soo cool que tive que usar)!!!

    Meu marido sai pra pescar e passa o dia fora...Ele diz como ele é sortudo, pois os seus amigos que saem pra pescar sempre têm as esposas ligando e passando txtmessage perguntado que hora o homem vem pra casa...E não venha não que a briga é feia...

    É como vc disse, de que adianta ser independente se não sabe lidar com o espaço do outro? - eu só não saio mais pq não estou podendo dirigir,trabalhar ou estudar, mas deixa eu tirar minha carteira de motorista que eu tô é batendo perda,Mona!

    Bjos!

  • Tá certa Ká, a confiança é a base de qualquer relacionamento! Como aqui em casa o Paulo confia mais em mim do que eu confio nele, acabo saindo muito mais vezes sozinha! hahaha... saio ganhando, né? Sou mais "confiavél"!

  • Eu tb amo essa liberdade e espaço à individualidade do outro. Realmente no Brasil os relacionamentos são bem retrógados, onde o cara limita até o tipo de roupa que a namorada deve usar, agora vc imagina um indivíduo desse tomando conta dos babies pra namorada sair com amigas? Nunca, né?

    Acho muuuuuito legal e saudável esse relacionamento que vc tem com o seu marido e exemplifica aos seus pimpolhos.

    ... Que Nuyra encontre um Brenito na vida dela!

  • Perder a individulidade é um passo para perder a identidade. Deixar de ser "você" para ser a esposa, namorada ou até mesmo ficante de alguém acaba gerando a tal dependência emocional e por fim os desentendimentos e até mesmo o fim da relação.
    Base para qualquer relação bem sucedida é a confiança e o afeto.
    Adorei o texto.
    Saudades.
    Bjs pra vc e pra sua family

  • mtooooooo bom, sensacional, vc devia ser colunista da Revista Veja, ia ser superfamous no Brasil!!! rs. Bjss

  • Oi Ká!

    Eu e o meu marido estamos tão acostumdos a fazer tudo junto (por prazer de estar junto mesmo) que quase não fazemos nada separados.

    Acho que isso acontece por dois motivos: nós dois temos liberdade e somos muito caseiros.

    Ele sabe que se quiser sair com os amigos qualquer dia, tem a liberdade para ir sem aquela esposa chata pegando no pé e ligando de hora em hora. Talvez essa liberdade que dou à ele e ele à mim tenha nos transformado em pessoas que gostamos de ficar juntos e não o contrário.

    Louco isso né?
    Se eu fosse uma esposa chata e que prendesse o marido, talvez ele não parasse em casa também.

    E o fato de sermos caseiros não nos permite sair muito. Adoramos ficar em casa, muitas vezes até sem fazer nada! Só vendo filmes e comendo besteira.

    E viva a liberdade!!!!

    Bjs querida!

  • Oi linda, voltei aqui para agradecer seu comentário que só me fez rir. Então quer dizer que justo desta vez ele não deu cartão junto com o presente??? kkkk
    Esses homens..... rs

    Beijão!

  • Ka, voce e um ser muuuito superior (a mim, pelo menos).. Eu tambem prego a independencia e confianca, mas da teoria pra pratica tem uma "pequena" distancia, e vira e mexe tenho recaidas a la brasileira, olhando o relogio quando namorido sai sozinho.. Por isso voce foi nomeada conselheira oficial em momentos de crise, com a missao de me lembrar como namoradas independentes sao muito mais cool e me salvar da neura ;)

  • Mi serei sua conselheira dependendo do tamanho da jarra de palmito e do catupiry que vc trouxer pra mim! hahahahaha

    Deixa de frescura, e vê se aprende a sair com as meninas ao invés de ir buscar namorado no aeroporto depois que ele ficou o fds inteiro fora! hahaha

  • Aplaudindo de pé esse post! Muita gente diz o mundo está perdido e que esse não é o verdadeiro significado do casamento. Oi? Que casamento aguenta a anulação do homem e da mulher, se foi exatamente pelo que eles eram que o amor começou? E ainda APOSTO que a mulherada (ou homarada) que defende a coleira sofre bem mais do que as que ensinaram o caminho de casa!