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Amor que Mata

Contos de fada matam, seja em sentido figurado ou no sentido literal da palavra.

Há algumas semanas, assisti à entrevista da Hayden Panettiere com Jay Shetty. Durante a entrevista, que era sobre seu livro de memórias, lançado este ano, ela fala sobre o relacionamento abusivo que teve com seu então namorado, o mesmo homem que estava por perto quando ela foi encontrada morta. Ele foi, literalmente, o fim dela.

É “engraçado” como olhamos para a vida das pessoas e não fazemos a menor ideia dos demônios que elas enfrentam entre 4 paredes.

O que ela, Amy Winehouse, Whitney Houston e tantas outras mulheres tinham em comum eram homens que não lhes faziam bem. E a verdade é que qualquer uma de nós pode se encontrar em um relacionamento tóxico.

Aconteceu comigo.

A parte mais difícil é que relacionamentos tóxicos nem sempre parecem tóxicos para quem está de fora.

Logo eu que detesto montanha-russa, vivi em uma por 5 anos.

O meu relacionamento, por exemplo, nunca envolveu violência física, mas teve gaslighting, mentiras, promessas quebradas e aquele ciclo interminável de terminar e voltar, que pode fazer você acreditar que é assim que o amor deve ser.

Não é.

O amor não precisa ser difícil ou doloroso. Não significa perdoar tudo ou lutar constantemente para fazer alguma coisa funcionar. E o amor de verdade nunca deveria fazer você não gostar da pessoa que se torna dentro daquele relacionamento.

Amor é verbo. Um verbo diário.

Amor é conversa, honestidade, confiança e liberdade. É saber que você será feliz com ou sem alguém, mas também saber que, se precisar, essa pessoa estará lá.

Amor é beijo na testa, é torcer pelo time um do outro, é guardar o ultimo pedaco do bolo pra ele,  é um “me liga quando chegar”, “eu faço”, “deixa comigo”, “não se preocupa”, “você está linda”.

É flores sem motivo. É um pedido sincero de desculpas e não cometer o mesmo erro novamente. É fazer planos juntos, poder dizer não sem medo e se sentir segura o suficiente para simplesmente ser você mesma.

Amor de verdade não mata, não diminui e não faz você se perder de si mesma.

Por um tempo, achei que, depois do meu último relacionamento, eu me fecharia para o amor. Achei que, depois de dois casamentos, talvez já tivesse vivido tudo o que deveria viver.

Mas eu estava errada.

Enquanto escrevo isso, apesar de tudo o que vi, ouvi e vivi, meu coração está cheio de esperança. Porque amar, amar de verdade, e se permitir ser amada é uma das experiências mais gratificantes e altruístas que podemos ter na vida. E não importa quanto tempo dure; se for saudável, recíproco e consistente, terá valido a pena.

Cada gota dele.

E eu estou pronta, de novo.

 

Rest softly, Hayden