Brasil, Crônica

Where is home?

Neste dia, ano passado , eu estava no Brasil.

O meu telefone me contou.

Me espantei, porque parece que foi ontem. Ainda assim, tanta coisa aconteceu nesse meio tempo, que parece que foi a uma vida atrás.

Foi a primeira vez que fui ao RJ de um dia para o outro. Foi a primeira vez que as 12 horas sem internet no avião me incomodaram,  afinal, não sabia se iria chegar a tempo de ver meu pai, mas eu sabia dentro de mim, que se conseguisse aquela seria a última vez.

Não sei explicar, mas eu sabia.

Eu estava certa, e aquela foi a última vez que o vi e ao invés de lamentar, sinto um profundo senso de gratidão de poder ter tido a oportunidade de me despedir e eu gosto de imaginar que aquela foi uma despedida de como quando eu vim pra Irlanda e que um dia, a gente vai se encontrar de novo, do lado de lá.

Muita gente sonha em morar fora, mas morar fora envolve tanta coisa, tantas concessões,  tantas trocas.

Veja bem, eu gosto de morar fora e vejo uma vantagem grande em ter uma vida desse lado de cá,  o problema é que meu coração estará sempre no meio do lado de lá também.

Quanto ao RJ, eu sei que ele não será o mesmo sem meu pai, mas ele continuará bonito, barulhento e meu.

Não é bizarro quando a gente para e pensa que quando pessoas que amamos morrem o mundo continua de uma certa forma o mesmo?

Mesmo que imperfeito, mesmo faltando um pedaço, Quando Estou com muitas saudades de casa, fecho os olhos e consigo sentir o cheiro do mar, do protetor solar, consigo ouvir o barulho do RJ, até a lembrança do engarrafamento vira poesia.

Memória afetiva, é mesmo um perigo.

(It always makes sound better than it was)

Melhor eu começar a me lembrar dos mosquitos.

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