Ponto de Vista

Eu preciso dizer que a Irlanda me mostrou uma nova maneira de ver a vida e me fez enxergar principalmente como nós brasileiras somos excessivamente vaidosas (vide a quantidade de cirurgias plásticas meramente estéticas a que nos submetemos )Não que as Irlandesas não sejam, mas hoje olhando para trás vejo o quanto eu já fui neurótica (do tipo não vou a festa porque minha unha tá feia) com a aparência, claro que a cobrança é enorme, uma sociedade que te julga pelo lado de fora, uma sociedade de cabelos lisos, uma sociedade de lojas que não vendem manequim 44 e que medem a elegância da mulher pelo tamanho do salto que ela usa, pela quantidade de horas que ela passa trancada em uma academia ou pelo preço da roupa que veste.

Hoje, sem entrar no mérito da depilação, que acaba tendo muito de higiene, consigo ficar semanas sem fazer as unhas, o cabelo a gente acaba aprendendo a ajeitar e salto alto se não aposentamos para todo o sempre a gente aprende a ser feliz alguns centímetros mais baixa 90% dos nossos dias.

Se você me falasse que eu sobreviveria sem ir a manicure e ao cabeleireiro toda a semana a alguns anos atrás, eu te diria que jamé (?), mas as minhas prioridades realmente mudaram e muita coisa acabou sendo influência do meio – sou pessoa influenciável, eu sei.

O conforto é o que move as mulheres Européias…oh! Wait!…o conforto e a maquiagem, que eu também aprendi a usar e comecei a me interessar por ela depois que vim morar aqui.
(o que inclusive me levou a fazer um curso profissionalizante a 2 anos atrás, lembram?)
Mas a grande realidade é que eu não tenho saco, não mesmo, a não ser para ocasiões especiais a minha Make é a mais básica, mas ainda assim, dificilmente saio de casa de cara lavada.

Ajuda terceirizada para cuidar do que é meu era outra coisa que até pouco tempo não vivia sem, hoje aprendi que ninguém, n-i-n-g-u-é-m limpa a minha casa do jeito que eu gosto e com o dinheiro que eu gastaria com uma cleaner, vou fazer outra coisa.

E eu estava aqui pensando que coisa engraçada é a vida e que poder enorme que a gente tem em se adaptar ao ambiente de acordo com nosso foco no momento.

Tomara que eu nunca mude e nunca pare de mudar.

Obrigada Irlanda, Ká.Entre.Nós, hoje sou mais feliz e muito menos dependente.

.

Facebook Comments

9 Comments

  1. Ka,
    Um bom post esse, faço da sua frase a minha tomara que eu nnca mude e nunca pare de mudar.
    Um beijo.

  2. Essa é realmente a ideia que eu tenho dos povos da América do Sul. Mas penso que essa "vaidade" se deve ao facto de terem a maior parte do ano, o tão animador SOL. O vosso período de Verão é muito mais longo do que na Europa, os corpos, andam mais tempo à mostra e por isso à que trata-los.

    Todas nós Europeias, só começa-mos a tratar do corpo quando começa a vir um calorzinho, no vosso caso é diferente…

    Mas eu acho lindamente, que se cuidem bastante.

    Eu por acaso não sou exemplo nessa matéria, mas sou vaidosa qb, como acho que todas devemos ser, saio de casa todos os dias maquilhada, e arranjo as unhas todas as semanas, mas em casa, cabeleireiro é que, geralmente, só para festas, não tenho paciência.

    Bjs,
    MJ

  3. quando eu me mudei para a Australia eu achava estranhissimo ver homens lindos, com mulheres gordas, "mal cuidadas" e mal vestidas.
    Eu brincava que as pessoas se vestiam no escuro que nao era culpa delas, que era o daltonismo, só podia ser!
    Pouco tempo depois descobri a imensa liberdade que se tem ao se livrar dos padrões pré estabelecidos de beleza.
    Na Nova Zelandia, muita gente anda descalça e vai ao supermercado de pijamas. Descalça nunca andei pqq tenho nojo, mas todos os supermercados locais conhecem meus pijaminhas.

    Me senti liberta!!!

  4. Isso é estar vivo. Mudar a toda hora.
    Não somos obrigadas a seguir todos esses padrões.
    Adorei o texto.

    Beijo,
    Bi

  5. Ká, ótima reflexão logo, excelente texto!! Nada como sermos de fato o que desjamos ser e nao o que o coletivo deseja. A algum tempo venho nessa maré: de que o meu padrão eu é quem crio!! Nada como a sensação de liberdade que isso nos proporciona!! Bjos!!

  6. adorei isso e foi o que tbm aconteceu comigo! També espero que eu nunca mude e nunca pare de mudar. Cheers amiga!
    Jacq

  7. te entendo. as francesas tb são mais desencanadas e não é à toa que tem um estilo muito mais legal que as brasileiraS. não tiro mais cuticulas e eu mesma faço as minhas unhas (que agora é so pintar). o cabelo foi radical: cortei joãozinho pra me libertar da escravidão da escova, que durou mais de 10 anos. maquiagem? um BBcream, blush e um pretinho no olho quando tem uma festinha e olhe la. salto? nao tenho mais nenhum!

    quando vou ao brasil, me sinto fora do lugar. acho que minhas roupas de França não servem pra usar la e sou a ET que vai na festa de sapatilha.

    (o interrogação depois do "jamé" foi por não saber como escreve? se foi, é jamais mesmo, igual em português. é que na lingua francesa a junção do A+I= E. Então se fala jamé!)

    bjoca, lindona!

  8. nao sei, eu sempre fui desencanada no Brasil, e a Irlanda me fez prestar mais atencao a maquiagem.

Deixe uma resposta