Ilustre Presença

Eu, por força do hábito, uso muito a palavra “sorte”.
Outro dia, vendo uma entrevista do Oscar, o jogador de basquete conhecido como “Mão santa”, ele falava sobre sua carreira e foi bem preciso quando descreveu que quanto mais ele treinava, mais “santa” a mão dele ficava.
Ou seja, ter sorte é mais ou menos isso.
A pessoa tem um dom, ou é dada a ela alguma oportunidade na vida, mas se ela nao treinar, nao exercitar, nao se dedicar, de nada adianta.
Sorte é  a combinação de oportunidade, otimismo, boas escolhas e atitude.
Tendo dito isso.
Me permito continuar dizendo que tenho sorte.
Sou grata pela sorte de ter nascido na família que nasci, por ter os pais que eu tenho, a irmã que eu tenho e os filhos que eu tenho, mas não é  suficiente só ser grata, a gente tem que cuidar.
Ter meus pais na minha casa como hospedes é  uma grande satisfação pra mim e uma grande sorte.
Vê-los descobrindo o mundo em que vivo, os lugares que gosto, as comidas que como, as amizades que fiz, o casamento que construií os filhos que desejei e a mulher que me tornei, é  motivo de orgulho.
Gostaria de fazer mais por eles, que sempre fizeram tanto por mim, me sinto mal por exemplo, pelo fato dos meus filhos não serem bilingues (porque não, eles não são) e acho que isso dificulta a relação entre eles e meus pais, que se mesmo não falando a mesma lingua ja tem uma relacao linda, imagina se falassem.
Também gostaria que o tempo passasse um pouco mais devagar.
E que as calorias ingeridas no período de visita materna não parassem nos culotes.
E que 4 horas dormidas me dessem a mesma energia de 8 horas de sono profundo.
E que em 20 dias pudéssemos celebrar Páscoa, Natal, todos os aniversários e datas comemorativas.
E que a distancia entre o Brasil e a Irlanda diminuísse, ou que pelo menos o caminho fosse facilitado pelas companhias aéreas.
E que, sei lá, a gente não tivesse que lidar tão duramente com o onus das nossas escolhas.
Saudade é um preço muito alto.
Eles mal foram embora e eu já estou aqui, sentindo.
Que nosso reencontro seja em breve e não breve.
Obrigada pela visita, pessoas favoritas.

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6 Comments

  1. Sortuda! Meu pai não anda de avião (nem trem, onibus e barco ha ha). Beijo pra sua familia linda 🙂

  2. Karine, vc escreve lindamente! Mas mais linda ainda é a sua forma de viver, e a forma que vc transforma pra melhor a vida de quem te cerca! um beijo!

  3. Ai essa foto do seu pai com Breno, a coisa mais linda. O amor independe de idioma né? Ainda bem. Vó e Vô têm algo especial, quem disse que precisa ser bilíngue pra dizer 'eu te amo'? Com certeza eles disseram isso o tempo todo, com abraços, beijos, carinho. Muita sorte pra voce e sua família.

  4. Melhor coisa do mundo é colo de vovô e vovó! <3
    Me emocionei com o post!

  5. Que lindo! Impossível não me reconhecer no seu texto e deixar as lágrimas correrem.

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