Eu queria ser Amélia e sou.

Eu queria ser Amélia e sou.

Eu vou te contar uma coisa:
Eu adoro ser Housewife!
A-d-o-r-o!
Não me sinto nenhum pouco menos do que a CEO que você conhece (ou da CEO que você é, caso você seja uma) provavelmente eu tenha menos dinheiro, é verdade.

Alem da proximidade com meus filhos, adoro passar aspirador, organizar roupas, fazer comida, manter a casa arrumada, fazer compras em 3 supermercados para economizar, fazer cardápio semanal e organizar a logística da casa.

Também não me sinto menos importante do que um médico que salva vidas, ou de enfermeiras que cuidam de doentes, nem de professores, nem de motoristas, nem de cabeleireiros.
Sou inclusive, um pouco de todos eles.
Cuido, zelo, alimento, transporto, afago, educo e entre outras mil coisas, até corto cabelo.

Tenho o prazer de -por livre e espontânea vontade- assistir diariamente o desenvolvimento físico e intelectual de 4 seres humanos (sim, quatro, adoro esse lance de procriar), metade deles ainda dependem de mim para quase tudo nessa fase da vida e eu me sinto importante.
Importante e privilegiada.

Meu marido chega em casa e o jantar está pronto (tenho o maior orgulho de dizer que nunca falhei 1 diazinho!- me julgue se quiser.)
Meu marido vai trabalhar todos os dias com a roupa limpa e passada, por mim (na maioria das vezes, porque se precisar, ele se vira nos 30, e muito bem, diga-se de passagem!).
Meu marido, que tem jornada dupla, principalmente agora que eu estudo algumas vezes por semana, sabe o meu valor.
E eu, não me me sinto, nem por um miléssimo de segundo dependente financeiramente dele.
Somos um time.
Hoje ele está na posição de provedor, amanhã, isso pode mudar, não porque eu não esteja feliz nessa posição, mas porque na vida tem sucesso quem tem a habilidade de se adaptar e se reinventar, e é para isso que eu estudo, se as circunstâncias mudarem, se eu sentir vontade, se houver necessidade, eu estar preparada, mas honestamente, cuidar dos meus filhos e levar a vida que eu levo é um prazer e mesmo nos dias mais difíceis (porque óbvio que eles existem e não são poucos), eu não tenho vontade de trocar os 4, por um Boss.

Entendo quem de fato se sente insegura em dar um “tempo” na carreira pela qual batalhou tanto, entendo quem ama sua profissão, entendo quem não tem outra opção (financeiramente falando), entendo também quem tem um marido ou parceiro que não encoraja essa decisão e nesse caso não se sentiria a vontade de “depender financeiramente” de alguém que não está disposto em faze-lo.

Entendo a mulher que gosta de se sentir útil, fora de casa, das que preferem o mundo dos adultos no horário comercial, das que tem orgulho de sua independência financeira, ou seja, entendo, respeito, aceito e admiro todas essas realidades, eu já estive lá.

Admiro todas as mulheres que depois da maternidade decidiram por si, ou por força das circunstâncias voltarem ao mercado de trabalho.(como foi o meu caso, quando o Breno nasceu).

E mais, admiro -muito- quem faz o que que quer e principalmente quem faz o que tem que ser feito, sem culpa.

Então, a partir de hoje, só por gentileza, não olhe para uma housewife e/ou uma full time mom com olhar de superioridade e muito menos de piedade. (e se você conseguir se controlar, por favor, evite perguntas do tipo: “Quando você vai voltar a trabalhar?!”)

Muito provavelmente ela está nessa posição porque quer, porque pode e porque -acredite- ela é feliz.

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19 Comments

  1. Falou bonito cuma!!! <3 xxx

  2. A vida deve ser vivida assim….sem julgamentos e comparações…cada um sabe de si e Deus de todos!!!! beijão grande pra vcs…

  3. Falou tudo, Ka!
    Tem muita gente que me olha estranho quando eu digo que por opcao decidi ser dona de casa e sabe o que eh pior? Quando eu via esse olhar delas eu falava coisas do tipo : Ah financeiramente nao compensa bota-los na nursery pra voltar pro trabalho e bla bla bla. So agora eu liguei o f****. Se a minha pequena familia esta feliz com a minha decisao eu nao estou nem ai pro que os outros pensam xxx

  4. A-do-rei e até compartilhei!!!

  5. Tá aí um texto que deveria ser enviado pra muita gente!!
    Nesse último ano eu voltei ao mercado de trabalho, mas estou a 1 mês de virar full time mom de novo com a chegada do nosso baby #2. Tenho que trabalhar o psicológico pra ficar tão segura e stress free como você! Adorei!
    Beijo
    Adri

  6. Adorei, Ka! Todos os trabalhos e escolhas tem que ser respeitados. Bjo

  7. Eu não sou dona de casa, mas se fosse tenho certeza de que seria feliz porque adoro cuidar de casa, cozinhar, e tudo isso. Acabo de pedir licença no meu trabalho para assumir esse papel e poder cuidar dos meus pais idosos, em regime de dedicação exclusiva, pelo menos por um ano. E sabe do que mais? Estou entusiasmada com a ideia. Nem sei se volto ao antigo emprego.

  8. Muito bacana sua posição. Apoiada!

  9. Amei Ká!!
    Seu eu pudesse, essa seria a maior e melhor realização da minha vida!

  10. Muito bonito o seu texto e eu respeito quem faz essa escolha por "escolha", porque jah viram os dois lados, mas realmente tenho um problema quando as mulheres pensam que o unico lugar delas é em casa, cuidando da casa, dos filhos e do marido, porque a sociedade, familia ou marido sempre as fizeram compreender que uma mulher soh é mulher nesse papel. E infelizmente tem muito, eu mesmo presencio muitos casos, inclusive um recente que me deixa ainda mais "revoltada" contra uma certa lavagem cerebral que existe em algumas culturas/familias.

  11. Apesar dos olhares piedosos, sempre amei ser dona de casa e mimar a minha família.Nunca me arrependi de ter priorizado minha família. foi um previlégio que poucas mulheres podem ter. Vai fundo!

  12. Esse foi o post mais lindo e honesto que eu já lí por aqui. Parabéns pelas escolhas e pela família linda!

  13. Eu trabalho full time e ainda não tenho filhos.
    Certamente, quando os tiver, vou desejar ser housewife!!!
    Não se engane, muitas desejam ter essa vida, mas por outras circunstâncias (medo, falta de apoio do parceiro, orgulho, dificuldade financeira) não o fazem!
    Esse texto diz tudo o que penso!
    Bjão Ka!!!

  14. Bruna Dalfré

    Pior do "Quando você vai voltar a trabalhar?" é aquela que vem antes "Você não trabalha?" (com aquele olhar de nossa coitada ela é dona de casa)…..Neh?!
    Eu adoro tb!!!
    Bj

  15. Karine, você falou com muita propriedade nesse assunto, pois já viveu os dois lados da moeda. Quer a pessoa escolha ficar em casa em tempo integral ou não, cabe a pessoa ser feliz na decisão que escolheu. Com as vantagens e desvantagens, sem reclamar.

    Eu vivi muito tempo em casa na primeira fase da minha adaptação, no começo foi difícil,porém digo que o foi por causa do estigma criado em cima do perfil da housewife no Brasil, que ainda se acredita que, se uma pessoa opta por essa escolha, ela passa o dia sem fazer nada. Não, quem passa o dia sem fazer nada é quem é dondoca, tem diarista, cozinheira, etc e tal.

    Hoje eu vivo um período muito gostoso no mercado de trabalho. Tive que deixar o blog de lado por um tempo em prol de certos projetos que hoje eu alcancei e estou feliz com isso. Mas, para ser sincera,as pessoas ainda se acham no direito de dar pitaco, independente da escolha que a gente faz. Agora não páro de ouvir quando irei ter filhos, quando irei ao Brasil ou quando meus relatives virão aos EUA.E continuo dando a mesma resposta: I don´t know.

    Hahahaha!

    Beijos!!!

    Saudades daqui 🙂

  16. Tudo o que penso! Belo texto! Obrigada!

  17. Simplesmente Linda!! Por dentro e por fora!

  18. AAAAMEI! seu texto! Tudo o que eu queria pra mim, mas aqui no meu caso foi difícil porque preciso trabalhar ( no Brasil impostos absurdos e sem direito a ter saúde digna, escola decente e justa pra todos, meio de transporte publico terrivel e carros populares com preços de carrão la fora…desculpe o desabafo 😉 ) faz com que as mulheres precisem ajudar os maridos1 mas tudo que eu queria era poder ter cuidado integralmente dos meus filhos e minha casa, aliás o que queria mesmo era ter feito como vc ter saido do país!!!

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