Continue a nadar, Continue a nadar…

Já fazia algum tempo que eu não andava me sentindo bem.
Mas a  minha hiperatividade voltou a me incomodar pra valer mesmo, quando eu vi que meu jeito afetava, de maneira negativa, todos a minha volta.

O problema é que a energia que eu tenho não é física, ela é mental e abala de maneira devastadora a minha habilidade de concentração e a maneira frenética que vivo a minha vida.

No início era até engraçado, mandar mensagem para pessoa errada, aparecer na festinha na casa de uma amiga, quando a festa era de outra, sair de casa e deixar o macarrão no forno, esquecer compromissos importantes que estavam previamente marcados na agenda, comprar uma passagem para o Brasil em 20 minutos, me matricular em cursos sem pensar muito se eu conseguiria conciliar a minha vida e agora por último, voltar a trabalhar, no turno da noite e ter todos os afazeres de sempre depois das 2 da tarde.

Não sei se você sabe mas ser impulsiva é uma das características mais marcantes do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e hiperatividade)

Eu sempre soube disso e usei por muito tempo essas características ao meu favor.

Conversando com o médico, chegamos a conclusão de que se eu fosse uma pessoa mais centrada não teria feito a metade das maluquices que fiz e que deram certo, então não dá pra me lamentar, apesar de ter também consciência que a minha condição me fechou muitas portas, mas o fato é que nessa nova fase da minha vida, com kids em idade escolar diferentes e com atividades que exigem de mim, muita concentração, achei que estava na hora depois de tantos anos, voltar a me cuidar.

Pra você ver, pra mim tarefas simples se tornam muito complicadas porque não consigo fazer a mesma coisa por muito tempo, não sei quando foi a última vez que sentei pra ver um filme em casa, Netflix, só sei o que é porque o Breno usa, joguinhos de facebook, nunca nem abri, também faz tempo que consegui ler um livro inteiro, sem pular páginas ou ter que re-ler o mesmo parágrafo 5/6 vezes, ou dormir uma noite inteira sem ser despertada pelo meu cérebro querendo começar a trabalhar as 2 da manhã, ou seja, não devo ser lá a melhor companhia para o meu marido e quando minhas filhas me pedem para sentar e brincar com elas, chego a suar, não consigo sentar e brincar.
E projetos maravilhosos que não consigo tirar do papel?
E oportunidades que perco?
Ninguém merece uma mãe hiperativa, ou uma esposa, ou uma amiga.

Corpo nenhum aguenta uma mente tão agitada assim.

Se dizem que preguiça é doença, excesso de energia é tão ruim quanto.

Mas o importante mesmo é que a gente, como diz minha companheira Dory,
“continue a nadar, continue a nadar” , porque no fundo, ninguém é 100% normal, não é mesmo?

“Enquanto minha mente não cansa, 

meu corpo não descansa”

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8 Comments

  1. Sabes que torço por ti. Se cuida; já ouviu falar do grounding da bioenergética? Tenho procurado informações e parece ter exercício pra liberar a energia da mente, provinda dessa alta "atividade". Bjos

  2. Karine… Fui diagnosticada com TDAH quando criança, e persiste durante a minha vida. Consegui me condicionar a fazer determinadas atividades necessárias, mesmo não gostando ou precisando focar diversas vezes. Realmente é um hábito… Por exemplo: Faço uma agenda milimétrica das minhas atividades, se der por semana, e tento segui-la à risca (assim não desperdiço energia inventando outras atividades), sai de um trabalho que amava e substitui por um com um horário mais flexível, poi não estava conseguindo concilia-lo com a maternidade e assim foi… Mas eu sei que não é fácil, eu sei…

  3. Puxa vida…quanto tempo eu não acompanhava um blog…fui viciada nelçes quando Manu minha filha com 9 anos hoje, nasceu. Acompanhava com afinco tudo do mundo das mães e seus arredores rsrsrsrsr então fui desconetando e há mais de ano ( talvez em razão da segunda filah Helena com quase 3) eu deixei de ler como antes, juro que pensei que não encontraria mais nenhum intrressante e dai: tu! Grata surpresa, amei tudo por aqui, já torço pela tua felicidade e vou te acompanhar com certeza!!! Te descobri no Facebook e hoje resolvi te ler.

  4. Tenho, meu apelido quando criança?
    Pinga fogo!
    Muitas críticas e queixas, mas temos uma mente brilhante, infelizmente passei adiante, metilfenidato é o que há!
    Trabalhar com crianças que por cima do déficit desenvolvem o COD (comportamento opositor desafiador)!, é um penar, sobre tudo quando é o filho dos outros que vc nem sabe que método pedagógico usar. Tem de ter muita paciência e ter tido introdução à psicologia.

    E não leio uma linha sem ter um pensamento totalmente diferente do enredo.
    Mas eu me amo mesmo assim! Gostaria de arrumar minha caixa e provar o remédio, no momento apenas ofereço a cria!

  5. Deve ser bem difícil não desacelerar. Não tem nenhum tratamento com psicologo?
    Como está o trabalho?

    Grande abraço, cuide-se.

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