Como levar meu filho para Irlanda.

Warning: Esse post é destinado as centenas de emails que recebo toda semana em busca de informações sobre visto de menores na Irlanda.

E então que o meu baixo astral por estar desempenhando a função de housewife tem passado longe ultimamente, com a Chloe finalmente na creche depois de 2 anos posso planejar meu dia sem necessariamente me preocupar com o humor da pequena, mas isso porque eu tenho sorte (e um pouco de dinheiro para investir em childcare) porque aqui na Irlanda a vida de dona-de-casa de filhos menores de 3 anos e meio não é nada fácil. (a não ser que você contrate uma Au pair e pague a ela €100 por semana o que eu, Karine, acho exploração, mas…)

O governo Irlandês a alguns anos atrás era bem generoso em termos de ajuda financeira aos menores de 18 anos, independente da classe social dos pais ou se os dois estivessem trabalhando, depois que a crise apareceu muitos benefícios foram cortados e outros reduzidos, dificultando a vida de quem contava com essa ajuda para educação das crianças pequenas, já que as escolas públicas só aceitam depois dos 3 anos e meio, enquanto que as particulares -creches- custam bem caro, uma média de €1000 full time. (todos os dias no horário comercial).
Muitas mães que planejam vir para a Irlanda como estudantes entram em contato comigo e normalmente me sinto como se estivesse jogando um balde de água fria, porque dou a minha opinião sincera que certamente é diferente da que esperam ouvir.

Crianças menores de 12 anos não precisam de visto, eles são tecnicamente dependentes do visto dos pais, o problema é que essa regra não se aplica quando se trata de visto de estudante já que estudante não pode ter dependente, ou seja, trazer uma criança para morar em outro país legalmente só no caso dos pais terem passaporte europeu, terem visto de trabalho ou serem casados com europeus.

Quando o Breno veio para a Irlanda meu visto já era de Partner (união estável com o rosinha) e com vaga certa na escola (vaga essa conseguida pelo método no Quem Indica)porque conseguir lugar onde você quer não é definitivamente tarefa fácil, para a Chloe por exemplo, coloquei o nome quando ela tinha 2 meses e ainda não temos garantia de que ela será aceita na escola que a gente escolheu.

Tirando esses detalhes, fica quase impossível conciliar a vida de estudante (que tem que comparecer as aulas) e ainda ter que cuidar de uma criança, a não ser que a estudante tenha renda suficiente para só estudar e não precisar trabalhar, já que deixar criança menor de 12 anos desacompanhada em casa é crime.

Eu sei que vários motivos levam uma pessoa a querer se aventurar na Europa, mas acho que quando envolvemos uma criança temos que pensar nos prós e contras de arrumar as malas e partir com a cara e a coragem, imagina se esses planos durarem 1 ano, a criança irá perder 2 anos de escola, já que aqui as séries são por idade e normalmente se volta uma quando se chega, não existe provas em colégio primário, se voltar ao Brasil será complicado apresentar o desempenho do aluno, se os planos são morar como ilegal, eu não aconselho por uma série de motivos, o principal é a pessoa não poder exercer seu direito de ir e vir, já que um ilegal não pode circular ou aproveitar o que a Europa tem de melhor para oferecer que são as viagens, até um atendimento médico pode ser incerto e perigoso.

Eu não sei vocês, mas eu só tiraria o Breno de uma rotina e de um lugar onde ele tem tudo, se eu tivesse condições de continuar dando a mesma atenção e nunca submete-lo a uma vida de incertezas e riscos, é duro ficar longe de um filho, eu sei porque fiquei 1 ano e meio (fui ao Brasil 5 vezes nesse período), mas mais duro seria priva-lo dos seus direitos como cidadão.

Eu já dividi apartamento com um casal de brasileiros que tinha uma filha e posso dizer com conhecimento de causa a dor-de-cabeça que era  conciliar trabalho e escola com os horários e necessidades da pequena.

Se viajar como estudante sem o Filho não é uma opção, aconselho adiar a aventura.

P.s.: Minha opinião não se aplica nos casos onde os Pais tem passaporte europeu, quando o visto dos pais é de trabalho ou quando os pais tem condições de se sustentar sem precisar trabalhar.

 

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