Vale a pena fazer um intercâmbio na Irlanda?- Barbaridades do Lado de Ká.

O segundo depoimento da coluna sobre os outros aqui no Ká.Entre.Nós chegou!
Conheço a Bárbara já faz alguns anos e ela também tem um blog onde escreve sobre suas aventuras desse lado aqui do mundo.
Ela, assim como eu, veio sem intenção nenhuma de ficar para todo o sempre, mas né?
Alguns anos depois, Ká estamos nós e parece que continuaremos assim!

Conheça a Bárbara!

Bárbara em Kerry, 2016

Eu sou a Bárbara, tenho praticamente 29 anos e em março de 2017 completo 4 anos de Irlanda.

Pode parecer clichê, mas assim como muita gente que acaba ficando por aqui, eu não planejei nada assim.
A ideia era vir, passar um ano, fazer o intercâmbio e voltar pra casa. No entanto, a Irlanda parece ter alguma mágica que faz a gente se apaixonar por esse país – seja a capital multicultural, seja as cidades do interior, as paisagens verdes e lindas pelas estradas afora… o fato é que assim que pisei aqui, eu soube que não ficaria somente um ano, sério! Lembro de estar no meu hostel, após ter pego o táxi do aeroporto e pensar: “como pode eu já ter gostado tanto daqui se mal cheguei?”.

Eu vim pra Dublin meio despretensiosamente – já era fluente e proficiente na língua há muitos anos e na verdade, nunca quis morar em país de língua inglesa justamente por achar, no alto da minha arrogância, que não aprenderia nada de novo.
Na verdade, morar fora é algo muito apreciado na minha área no Brasil (eu trabalhava como professora de inglês) e por uma razão totalmente equivocada, as pessoas acham que ao morar fora, o inglês da pessoa melhora.
Eu sempre achei isso bobagem – e continuo achando na verdade.
Quantos e quantos professores de inglês eu conheci que moraram fora do país mas tinham um inglês mediano? Perdi a conta.

Portanto, essa não foi a minha grande motivação em fazer um intercâmbio, e sim ter a chance de viajar um pouco e dar um tempo da minha vida em São Paulo, já que eu trabalhava demais e estava extremamente cansada e estressada com tudo.
Me planejei por mais um menos um ano, trabalhando das 8h às 22h em duas escolas (fora os sábados!) pra conseguir juntar dinheiro e vim.
Comprei um curso de inglês numa escola baratinha – justamente por não precisar do curso – e embarquei no vôo que me levaria pra Istambul pra uma escala de quatro dias antes deu vir pra Dublin.
Como eu disse ali em cima, eu me apaixonei pela Irlanda de cara, amor à primeira vista mesmo.
E não demorou muito tempo pra que eu me apaixonasse novamente, dessa vez por um irlandês de Cork.
O curso de inglês acabou e decidi renovar o meu visto – mais duas vezes! Na terceira, infelizmente, a minha escola fechou, perdi dinheiro e tive que arrumar outros meios de permanecer legalmente no país.

Foi quando o projeto de fazer um mestrado tomou forma e foi adiantado. Em 2015/16, estudei no curso de TESOL (Teaching English to Speakers of Other Languages) na UCD, uma das melhores universidades do país, e não obstante, ainda consegui uma bolsa parcial! A bolsa caiu no meu colo, já que uma das professoras do curso e diretora do mesmo gostou tanto de mim e da minha participação nas aulas que resolveu me ajudar.

No momento estou prestes a conseguir o meu stamp 1, visto concedido pelo governo irlandês através do programa Graduate Scheme, que permite que alunos de graduação e pós no país fiquem na Irlanda entre 6 e 12 meses pra procurar emprego.

A Irlanda é um país maravilhoso, belíssimo e muito rico em história e cultura e eu não me canso de aprender mais sobre esse lugar e seu povo, de verdade.

Qualquer oportunidade de ir em museu, de ler a respeito, eu faço. Ao mesmo tempo, vejo com clareza os problemas e dificuldades de se morar em Dublin, que é uma capital que comparada a outras na Europa, ainda deixa muito à desejar (transporte público, segurança, custo de vida, etc.). No entanto, lugar nenhum no mundo é perfeito e o segredo é aprender a conviver com as coisas boas e ruins, como em qualquer relacionamento, não é verdade?

Se eu recomendo um intercâmbio aqui? 

Olha, eu sou bem dividida em relação à isso. Na verdade, acho que a Irlanda acabou virando um destino de quem quer morar fora (como eu queria) mas que não necessariamente quer aprender inglês.
Nos últimos anos, muitas escolas que na verdade funcionavam como fábricas de vistos fecharam, e com isso prejudicaram pessoas honestas (funcionários e alunos) que só estavam mesmo no lugar errado.
Ainda há muitas escolas ruins, que pagam seus professores extremamente mal e não estão nem um pouco preocupadas com qualidade de ensino. Por outro lado, há escolas de altíssima qualidade, mas essas custam caro e pagar um curso caro, em euros, não é algo muito atrativo pra gente que sai do Brasil, certo?
Com as mudanças do governo irlandês em relação ao visto de estudante (que era de 12 meses e agora somente 8) e também da permissão de trabalho (agora só trabalha período integral na época do verão e Natal), acho que vir só por vir pode não valer tanto a pena. Agora, se você quer mesmo aprender inglês e ter uma experiência bacana por aqui, invista numa escola melhor e realmente se dedique. Tem muitos brasileiros na Irlanda, principalmente em Dublin? Sim, mas estar rodeado de pessoas que falam a sua língua nunca será um impeditivo para aprender a língua. Além disso, quando a situação aperta, é o amigo brasileiro que estará lá pra te ajudar.

Hoje minha perspectiva é de ficar na Irlanda.
Se é pra sempre eu não sei, já que não sabemos o que o futuro nos reserva, mas essa ilha me faz extremamente feliz – faça chuva, faça sol, faça vento ou tudo junto ao mesmo tempo!

Você pode acompanhar mais da Bárbara e seu cabelo colorido no Blog Barbaridades , no Facebook e Instagram.

Se você perdeu o Depoimento da Camila, que é casada com um brasileiro, tem dois filhos e mora em Galway, clique aqui.

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One Comment

  1. Que fofa! Obrigada por me acompanhar! 🙂

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